Ela se abriga nos gestos cotidianos, nas escolhas aparentemente arbitrárias, nos erros revividos… como uma insistente busca pela compreensão daquilo que ainda não foi compreendido. É o desejo que tropeça, tentando encontrar uma nova saída, uma palavra que ainda não foi pronunciada… É o passado que não sabe se despedir, o trauma que marca o corpo e a memória como uma ferida que não cicatriza.

Repetimos não por teimosia, mas porque há algo no enigma do retorno que nos escapa e nos convoca a comparecer, a assumir uma nova posição.
Por isso, é na repetição que se esconde a possibilidade de criação. Ao revisitarmos o percurso, podemos descobrir bifurcações que antes não víamos, aberturas para outras formas de viver, outros modos de desejar. Como afirmou Lacan, “a repetição não é o retorno do mesmo, mas o reaparecimento do diferente”. Ela nos desafia a ouvir o que o sintoma sugere e a escrever uma história renovada.

A repetição, longe de ser uma maldição, é uma oportunidade. Uma chance de escutar o que insiste em reaparecer e, nesse gesto de escuta, transformar o velho em algo novo. Repetimos para, talvez, finalmente, nos libertarmos.

O que se repete em sua vida?

Compartilhe este post