Sofrimento e desejo de cura são os motivadores de uma análise.
Entendendo a cura como a eliminação de um sintoma, quem procura atendimento psicanalítico ou qualquer outra forma de tratamento espera sair “curado”, no menor tempo possível e pelo menor custo, quando possível. No entanto, para a psicanálise, um sintoma faz parte de uma composição maior – da estrutura psíquica do sujeito. Mas a que serve esse sintoma? O que ele sustenta?
“Tirar” um sintoma, “curar” um paciente pode fazer tudo desmoronar. Como escreveu Clarice Lispector,

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

Em meio aos contraditórios imperativos de saúde que vivemos hoje em dia, curar um sintoma é encerrar a oportunidade de ouvi-lo, de saber mais sobre ele, sobre o desejo que ele revela, e de produzir uma transformação a partir dele e de um trabalho analítico. Tal qual a um queijo que, após um processo de cura, sai curado – transformado mas, ainda, queijo.

Cura, em sua origem latina, significa “cuidado”, “zelo” mas, também, “tarefa”, responsabilidade de quem sofre, nesse caso. Falar o sintoma, escutá-lo, é uma tarefa sofrida mas, ainda assim, uma forma de cuidado – uma forma de cura.

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