Em “O mal-estar na civilização”, Freud fala do amor (amar e ser amado) como uma das maiores fontes da felicidade e bem-estar mas, também, fonte dos maiores conflitos, especialmente quando estes se relacionam com imperativos morais e sociais.
Hoje em dia, é comum ouvir queixas de que “não há pessoas emocionalmente disponíveis”, ou, quando disponíveis, são negativamente chamadas de “emocionadas”. Todos se protegendo disso que seria o “prazer triunfante”, nas palavras do fundador da psicanálise.
Quanto a outra parte importante do amor – o “erotismo genital” -, nunca se fez tão pouco sexo, especialmente as novas gerações.
A incapacidade ou dificuldade de amar refere-se, em primeira instância, ao nosso amor próprio. Amor de que fomos objetos um dia, à capacidade de sermos amados. À história de nosso primeiro amor.
É verdade que nunca nos encontramos mais vulneráveis do que quando amamos. E nunca nos encontramos mais miseráveis do que quando perdemos o ser amado. Mas, então, devemos nós deixar de amar? Ou limitar esse amor ao mínimo?
“A vida é a arte do encontro
embora haja tanto desencontro pela vida”.
A palavra “amor” carrega, em sua partícula am- a ideia de ligação. Como seria possível um amor com menos desencontros? Considerando aquilo que nos liga enquanto seres humanos – a palavra. E, consequentemente, a escuta.