Muitos veem ou lembram da psicanálise remetendo a Freud como alguém “que só pensava naquilo”. É e não é verdade.

Sexualidade, para a psicanálise, não é uma função biológica relacionada ao encontro de genitais para a reprodução, como afirmava o discurso médico moralista e patologizante na segunda metade do século XIX; a sexualidade é um arranjo psíquico que organiza o nosso posicionamento diante da vida, diante de nossa busca por prazer, através de escolhas e encontros com nossos objetos de desejo. E isso pode ser desde tomar um aguardado cafezinho após o almoço, comer uma sobremesa específica (“de vó”, por exemplo), ouvir uma música, assistir a um bom filme, brincar ou, ainda, fazer sexo. Há formas menos triviais ou “estranhas” de obtenção de prazer, de escolhas de objetos de desejo, o que contribui, junto com discursos moralizantes, para tornar assustadoras palavras como “sexo” e “sexualidade”, tal qual na época de Freud. A sexualidade humana, perversa (para além do biológico), polimorfa (que se satisfaz de inúmeras formas) e, sempre, singular, permanece sendo o nosso maior enigma. Abafar, subestimar, negligenciar essa busca pelo saber e pelo prazer aumenta a angústia, gera sintomas, e a psicanálise, tributária ao desejo e à responsabilidade, pode ajudar a lidar com esse enigma.

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