A ansiedade é vivida, descrita, relatada através de manifestações como sudorese, taquicardia, aperto no peito, insônia, entre tantas, pela antecipação de um futuro incerto e com uma autocobrança em relação a ele. Sintomas esses que, ao invés de nos impulsionarem ao movimento, à ação, acabam se tornando paralisantes, nos impedindo de realizar aquilo que, aparentemente, queremos, desejamos tanto e que nos proporcionaria “o fim de todo sofrimento”.

E qual futuro não é incerto? Qual o nosso poder (especialmente individual) em relação a ele? Quem aguenta viver em constante aflição?

Incerteza e desejo fazem parte da vida; lidar com eles é o nosso grande e interessante desafio como sujeitos – é o que permite uma existência criativa e prazerosa de ser vivida, ainda que com sofrimentos pelo caminho.

O que não dá para aceitar é uma sociedade geradora de ansiedade, agravadora radical das incertezas, produtora de crises, desumanizadora e em que sofrer é malvisto. Viver tão intensamente sob essa lógica, com os imperativos de tempo, produtividade e sucesso projetados pela subjetividade contemporânea é, sim, extremamente adoecedor.

Aproveitar o potencial transformador da psicanálise através dos sintomas da ansiedade é a chance de (se) proporcionar uma vida interessante e desejável de ser vivida.

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