Conheço uma pessoa que, a cada livro lido, a cada cena vivida, a cada filme assistido, comenta: isso é sobre luto. Ela não deixa de estar certa.

Viver é perder a cada momento… perder imagens, lembranças, ideais, perder pessoas, perder a si. Esta pode parecer uma visão pessimista da vida, ainda mais em tempos de “positividade tóxica”, de uma obrigação em “ser feliz” e publicar para o maior número possível de pessoas. Perder, em nossa cultura, não é algo a ser mostrado e não é algo que queiram ver. No entanto, deixar de olhar para as nossas perdas e de fazer o luto sobre elas pode ser ainda mais custoso, caro, sob pena de custar ela mesma – a própria vida.

O trabalho de análise é, também (se não, totalmente), um trabalho dos lutos que ficaram incompletos pela vida. Não se resolve com o tempo, nem com remédios… fazer o luto sobre nossas perdas é trabalhoso, mas o que não o é nessa vida? Por mais difícil que possa ser, por mais absurdo que possa parecer, há nesse trabalho uma luz, o novo, uma criatividade que se volta para a vida.

Como escreveu Elizabeth Bishop em sua poesia, aprender a perder é, também, “uma arte”.

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