Ler, falar, escutar histórias sempre me foi um prazer. Quando criança, lembro que eu e minha irmã brincávamos de ler o dicionário uma a outra e fazíamos jogos de adivinhação, tanto o de português quanto o de inglês. Aprendemos a língua estrangeira “de ouvido” e, anos depois, um colega músico disse que minha escuta era boa e que talvez eu tivesse “ouvido absoluto”, por identificar notas musicais e dissonâncias, ainda que não soubesse nomeá-las tecnicamente.

Esse gosto pela palavra, pela leitura e pela escuta me levou a escolher a faculdade de Letras, onde conheci a Linguística. Vi essa ciência como a chave para desvendar o mistério de todas as línguas! A busca por um sentido, completo, universal, seria possível – qual aqueles que pretenderam fazer a Torre de Babel.

Entretanto, por mais que me considerasse uma boa leitora e escutadora, tinha dificuldade de escutar a mim mesma. Então, em 2009, iniciei a minha análise pessoal.

Após dissabores profissionais, o meu amor pela língua se transformou para os saberes e sabores de uma das bebidas mais sensorial e intelectualmente estimulantes: o vinho!
Essa nova busca pelo sentido – olfato, paladar, visão, audição, tato – me permitiu desfrutar deliciosos momentos compartilhados com colegas, clientes e, ainda, prestar mais atenção à língua individual – não mais àquela língua universal, completa, ideal, mas ao real da língua, que se mostra e se esconde na fal(h)a de cada um, na singularidade. A cada pessoa, um novo texto se revela, uma história se apresenta e continuamente se (re)escreve.

Desde então, resolvi me tornar analista não só de mim mesma, mas de outros sujeitos que se dispõem a encarar a experiência transformadora de uma análise pessoal. Em minha contínua formação, passei pelo Fórum do Campo Lacaniano, Instituto da Psicanálise Lacaniana e, hoje em dia, estou como adherente da APOLa, além de estar concluindo uma pós-graduação em Clínica Psicanalítica Lacaniana no Instituto ESPE e um curso de Psicanálise com crianças pelo Instituto GERAR. Lacan, esse “linguista da fala”, se inspirou no estruturalismo da linguística e aprimorou a cura freudiana pela fala, construindo bases éticas de profundo respeito ao sujeito do desejo e ao ofício do analista.
Isso que norteia meu trabalho.

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